Grandes cineastas brasileiros

Cinema, Em Foco, Nelson Barboza fevereiro, 2017

Após darmos uma visão mundial da produção e da história do cinema em diversos países, abordaremos, agora , alguns aspectos do cinema no Brasil, começando com uma rápida visão de seus principais cineastas.

Com recursos financeiros limitados, mas muita imaginação, talento, criatividade e, sobretudo, idealismo, cineastas brasileiros marcaram presença na cinematografia mundial, conseguindo importantes prêmios.

O início das filmagens em nosso país, segundo a maioria dos pesquisadores, deu-se em 19 de junho de 1898, quando Afonso Segreto, chegando ao Rio de navio, rodou Fortalezas e navios de guerra na Baía de Guanabara. Segreto faria, ainda, cerca de sessenta filmes entre 1898 e 1901.

Outros pioneiros, como Mário Peixoto (1910-1991), que foi produtor, roteirista, diretor, argumentista e montador do seu famoso filme Limite (1929) e Humberto Mauro (1897-1983), que deflagrou o “Ciclo de Cataguases” – um dos maiores movimentos do cinema mudo – e dirigiu o clássico Ganga bruta (1933), seu primeiro filme sonoro, ajudaram a construir a história do cinema brasileiro. Seguiram-se-lhes cineastas de porte como:

– Alberto Cavalcanti (1897-1982) – Figura importante na revitalização e desenvolvimento da técnica de filmagem no Brasil;

– Nelson Pereira dos Santos (1928-) – Diretor, produtor e roteirista, com vários sucessos, entre eles: Rio 40 graus (1955); Vidas Secas (1963), um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos; o premiadíssimo Amuleto de Ogum (1974); Tenda dos Milagres (1976); Memórias do cárcere (1984), considerado uma lição de cinema e A terceira margem do rio (1994);

– Joaquim Pedro de Andrade (1932-1989) – Com ênfase na cultura brasileira, dirigiu Macunaíma (1969), Garrincha, alegria do povo (1963), O padre e a moça (1966), Os inconfidentes (1972) e O homem do pau-brasil, melhor filme do festival de Brasília (1981);

– Carlos (Cacá) Diegues (1940-) – Um dos mais ativos realizadores do Cinema Novo, priorizou a cultura negra com Ganga Zumba (1964), Xica da Silva (1976) e Quilombo (1984); dirigiu, ainda, Bye, bye, Brasil (1979) e o premiado Veja esta canção (1994);

– Leon Hirzsman (1937-1987) – Entre os teóricos do Cinema Novo, tem filmes dedicados ao drama urbano; dirigiu A falecida (1964), São Bernardo (1972), Que país é esse (1977) e o premiado Eles não usam black-tie (1981);

– Glauber Rocha (1939-1981) – Líder do Cinema Novo, abordou temas sociais em filmes reconhecidos internacionalmente, como: Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), Terra em transe (1967), O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) e outros; seu último longa-metragem foi A idade da Terra (1980);

– Carlos Manga (1928-2015) – Grande diretor nos tempos da Chanchada (anos 1950) e grande incentivador de Oscarito (16 filmes), com destaque para Nem Sansão nem Dalila (1953), Matar ou correr (1954) e O homem do Sputnik (1959); levou sua experiência para a TV onde, a partir dos anos 1960, realizou ótimos trabalhos. Em 1975 fez uma antologia de trechos de filmes em Assim era a Atlântida, obra de importante valor histórico;

– Arnaldo Jabor (1940) – Outro dos participantes do Cinema Novo, diretor de longas a partir de 1970, com Pindorama; é o roteirista e diretor do premiado Toda nudez será castigada (1972), uma das melhores abordagens da obra de Nelson Rodrigues no cinema. Dirigiu, ainda, Tudo bem (1977), Eu te amo (1980) e Eu sei que vou te amar (1985);

– Anselmo Duarte (1920-2009) – Ator e cineasta, ganhou a Palma de Ouro em Cannes com O pagador de promessas (1962). Dirigiu, também, Vereda da salvação (1965), Quelé do Pajeú (1970), Um certo capitão Rodrigo (1971) e O crime do Zé Bigorna (1977);

– Roberto Farias (1932-) – Realizador do clássico Assalto ao trem pagador e do político Pra frente, Brasil;

– Roberto Santos (1928-1987) – Dirigiu A hora e a vez de Augusto Matraga (1965);

– Tizuca Yamasaki (1949-) – De assistente de Nelson Pereira dos Santos (em O amuleto de Ogum e em Tenda dos Milagres) e de Glauber Rocha (em A idade da Terra) a produtora, escreveu e dirigiu Gaijin, caminhos da liberdade (1980), seu melhor filme, premiado em Havana;

– Carla Camurati (1960-) – Excelente atriz e uma grata surpresa como diretora em Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995);

– Walter Salles (1957-) – Após fazer A grande arte (1991) e Terra estrangeira (1995), é o grande premiado do novo cinema brasileiro com Central do Brasil (1998), que ganhou o Globo de Ouro 1999, o Urso de Ouro 1998 e foi indicado para o Oscar, além de inúmeros outros prêmios. Em 2004, fez Diários de motocicleta.  

Estes são alguns dos cineastas que deram sua contribuição decisiva para a evolução e o reconhecimento do cinema brasileiro. Inúmeros novos talentos continuam surgindo.