Uso de resíduos em jardins

Em Foco, Fabio Freitas, Paisagismo fevereiro, 2017

Um tema recorrente na agricultura é a utilização de resíduos. No caso de plantas de ornamento, esse fator ganha mais força ainda. Vamos falar mais sobre ele.

A disposição de resíduos no meio ambiente tem sido uma das preocupações da sociedade moderna, que busca, por meio de mecanismos legais, o desenvolvimento sustentável, com a menor geração possível de rejeitos. A caracterização destes passivos e suas possíveis formas de reutilização é uma exigência legal que traz consigo responsabilidades, não só ambientais, mas também sociais e econômicas, uma vez que muitos deles podem trazer benefícios aos solos tropicais intemperizados, comuns no Brasil, promovendo ciclagem de nutrientes na produção vegetal (resíduos com característica de fertilizante) ou mesmo a elevação do pH (resíduos alcalinos, por exemplo), tornando terras antes impróprias ao cultivo, por conta da presença de alumínio tóxico e potencial de hidrogênio baixo, outra vez aptas às suas funções sociais básicas.

Desta forma, torna-se importante saber a procedência e/ou a caracterização do resíduo que se tem ou mesmo se adquire de alguma forma, antes de sair aplicando-o em seu jardim. Resíduos orgânicos (restos vegetais, sobras ou cascas de alimentos, excrementos de animais etc.), são materiais importantes que contribuem para a nutrição das plantas ornamentais. Mas é preciso critério na aplicação deles, pois o ideal é que estejam já curados (maturados completamente) ou, ao menos, em estado avançado de decomposição – o que é normalmente conseguido com a utilização de processos de compostagem. Principalmente, é necessária uma análise de solo prévia.

Em se tratando de resíduos oriundos de processos industriais, é preciso que tenham selo de aprovação do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, para que sua comercialização seja legal e obedeça a critérios de segurança e saúde para o consumidor. Geralmente, os processos industriais são obtidos com a adição de diferentes elementos químicos e, com isso, podem gerar resíduos potencialmente perigosos, por conter sobras desses elementos. Assim, o uso deles pode causar contaminação das águas, do ar e, principalmente, do solo.

Os jardins normalmente são cultivados em solos previamente analisados por profissionais que sabem da importância de um bom preparo e da adição de matéria orgânica. As plantas normalmente respondem bem, e o solo se torna mais fértil, além de ter substancialmente aumentada a sua capacidade de retenção de água. Entretanto é preciso constante critério e cuidado com as fontes de matéria orgânica. Na dúvida, consulte sempre um agrônomo. O meio ambiente e o seu jardim agradecem.